LEI Nº. 12.432 de
2 de outubro de 2007.

“Institui o Dia do Policial Federal, no âmbito do Município de Curitiba.”

A CÂMARA MUNICIPAL DE CURITIBA, CAPITAL DO ESTADO DO PARANÁ, aprovou e eu, Prefeito Municipal, sanciono a seguinte lei:

Art. 1º. Fica instituído no âmbito do Município de Curitiba, o “Dia do Policial Federal”, a ser comemorado anualmente no dia 8 de março.

Art. 2º. O evento instituído passará a constar do Calendário Oficial da Cidade.

Art. 3º. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

PALÁCIO 29 DE MARÇO, em 2 de outubro de 2007.

Carlos Alberto Richa
Prefeito Municipal





"Um tributo aos policiais"

Quando erram, nós não os perdoamos, somos, freqüentemente, implacáveis com eles. Até que, num fim de semana trágico, vislumbramos o que seria de nós sem a polícia. Aos mortos, e aos vivos, o Fantástico faz um tributo.

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21/07/2010 - CURITIBA, um agente federal contra as drogas

Nazir Abdalla Chain é policial federal por vocação. Casado, pai de três filhos, esse curitibano de 46 anos ingressou na Polícia Federal em 1985 como Agente Administrativo. Dois anos depois ele faria concurso para agente federal. Natural do Paraná, o agente federal foi trabalhar na  tríplice fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina) onde atuou nas áreas de Entorpecentes, Crimes Fazendários, Migração, Segurança de Dignitários e Combate ao Crime Organizado.


Com uma vida dedicada ao DPF, o agente federal Chain foi cedido pelo ministério da Justiça e pelo Departamento de Polícia Federal em junho de 2008 para a Prefeitura Municipal de Curitiba onde trabalhou na criação da Secretaria Antidrogas Municipal de Curitiba. A experiência no combate ao crime o ajudaram na criação de programas que hoje ajudam jovens a não ingressarem no perigoso mundo da droga.

 

Atual secretário da pasta, Chain concedeu uma entrevista exclusiva a Agência Fenapef onde fala sobre o trabalho realizado em Curitiba e, é claro, sobre Polícia Federal.

 

Agência Fenapef  – Tratar da prevenção ao consumo de drogas, e até mesmo do combate ao próprio tráfico em nível municipal, é uma novidade em termos de políticas públicas. Como esta experiência é desenvolvida em Curitiba?

 


Nazir Chain 
- A experiência em Curitiba revelou-se altamente eficaz. Pois o primeiro Poder Público que a população procura é o Poder Público Municipal. É o mais próximo das pessoas. É aquele que conhece objetivamente o local onde as pessoas moram, por sua vez, consegue realizar políticas públicas direcionadas de acordo com a particularidade de cada região, de cada bairro, de cada comunidade, priorizando ações mais efetivas naquele lugar, seja melhorando a iluminação pública, cercando terrenos baldios, intensificando patrulhamento da Guarda Municipal, etc., trazendo maior sensação de segurança. As ações da Prefeitura são integradas, oportunizando maior confiabilidade da população com o Poder Público, onde é comum receber em troca, informações de locais e de pessoas ligadas ao tráfico e a criminalidade na localidade.
 

 

Semana antidrogas

Fenapef – Como acontece a integração da Secretaria Antidrogas com as demais áreas da prefeitura no sentido de articulação do trabalho?

 


Chain -
A Secretaria Antidrogas Municipal articula ações que estão à disposição da população através de todas as Entidades e Secretarias Municipais, para que possam trazer melhores condições de vida à comunidade, sempre através de parcerias como: vigilância e patrulhamento, urbanização, ações de conscientização da população, esporte, cultura, lazer, arte e principalmente o exercício da cidadania. É comum em qualquer atividade da Prefeitura de Curitiba, independentemente da área de atuação, que outras Secretarias participem levando seus trabalhos e suas ações, o que sempre demonstra a sintonia de procedimentos administrativos em prol do bem comum.



Fenapef  – Nas escolas e comunidades do município como este trabalho é recebido pela população?

 


Chain -
Minha resposta não poderia ser mais positiva para essa pergunta. A carência de políticas públicas, principalmente quanto à  prevenção ao uso e abuso de drogas lícitas e ilícitas, até se criar uma Secretaria para tratar do assunto era tão grande que, assim que iniciamos as atividades em meados de agosto/2008, nossa expectativa era de atender em média 30.000 pessoas participantes das ações da Secretaria Antidrogas por ano. Já nos primeiros cinco meses, ou seja, até dezembro/2008 já tínhamos mais de 40.000 participações da população. Imaginávamos então que em 2009 superaríamos o número de 60.000 participações em nossos projetos e ações, para grata surpresa, atingimos a marca de 136.861 participações. Atualmente em 2010, até o mês de junho já conseguimos ter 115.000 participantes nas mais diferentes ações de prevenção da Secretaria Antidrogas, devendo superar a marca dos 170.000 participantes este ano. Isso demonstra que a população está recebendo as ações da Secretaria Antidrogas com muito entusiasmo, admiração e carinho.

 



Fenapef 
– Quais são as principais dificuldades para implementar este trabalho em nível municipal, à medida que este tema, via de regra, não é enfrentado pelas municipalidades?

 


Chain -  Acho que após vencer o medo de algumas comunidades, demonstrando que as ações são sociais e não repressivas, a maior dificuldade de se implementar este trabalho no município é o convencimento da sociedade, que políticas de prevenção terão resultados eficazes, porém a médio e longo prazo. É como a educação que em nosso país pouco se fazia, hoje é notório que a vida das pessoas melhorou em muito com uma base mais sólida da educação. Como as ações de prevenção na área da saúde quase exterminaram a mortalidade infantil em nosso país.

 

Fenapef – Quais os programas o senhor destacaria como fundamentais dentro do âmbito da secretaria? Porque?

- “BOLA CHEIA” - É um programa para encher a bola de crianças e adolescentes com boas perspectivas de futuro. Limpo, sem drogas. A fórmula é simples: esporte, lazer, cultura e cidadania. As atividades acontecem às sextas-feiras e sábados, das 21h à 01h, retirando das ruas os jovens e adolescentes nas áreas de risco econômico e social e levando-os para locais permanentes e seguros em cada Regional da cidade;

- “CÃO AMIGO” - Cães treinados que atuam principalmente nas escolas municipais realizando demonstrações socioeducativas  de como encontrar a presença de drogas, de forma lúdica e sutil, entretendo os alunos e evitando o constrangimento de uma revista policial.  Instrutores capacitados fornecem material ilustrativo e dialogam com os alunos presentes;                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                             

 - “OPERAÇÕES ESPECIAIS” - Utilização de câmeras de monitoramento e cães farejadores em eventos de grande porte, como festas de música eletrônica (“raves”), feiras e shows. Durante as operações também são distribuídos materiais informativos sobre prevenção às drogas e à violência, principalmente para o público juvenil que tem maior presença e participação nestes eventos;

- “REDE SALOMÃO” - Software criado para gerenciar dados obtidos através da Rede de Colaboração Curitibana e Metropolitana. Através da Diretoria de Inteligência da SAM as informações são recebidas, analisadas e, se necessário, complementadas para posterior encaminhamento para os órgãos competentes (Polícias Civil e Militar), Polícia Federal e também para o Ministério Público.  Este serviço auxilia também na implantação de ações e projetos voltados à prevenção e combate ao tráfico de drogas;

- “PAPO LEGAL” - Diálogo interativo focado  na prevenção às drogas  e à violência, visando à conscientização de crianças, jovens, adolescentes e adultos, sobre os prejuízos causados pelo uso e abuso de drogas, realizado em Auditórios(Polícia Federal, Universidades, Igrejas, etc.), em escolas (públicas municipais, públicas estaduais, públicas federais e particulares);

- “MOVIMENTO POTY” - Dividido em módulos, o projeto oferece cursos e oficinas nas áreas de informática e web design, com orientações para a cidadania, preservação do meio ambiente e prevenção ao uso de drogas. O programa cria oportunidades de geração de renda e primeiro emprego, estimulando a criatividade e talento dos jovens. O Programa é realizado em parceria com Universidades e Institutos;

- “CARAVANA DO BEM” - Atividades educativas e culturais que despertam a cidadania para restaurar o respeito e a valorização individual. Oficinas itinerantes de dança, música, teatro e artes plásticas, além de palestras socioeducativas, são realizados nos bairros através de unidades móveis.

Bola Cheia
                                                                                                          

Fenapef -  Antes de ser secretário e gestor municipal o senhor é um policial federal. Em que a experiência na PF o ajudou no trabalho da secretaria?

 

Chain - Simplesmente em tudo. A prática do trabalho policial nos traz uma visão macro dos acontecimentos e das necessidades sociais. A disciplina, o comprometimento com as atividades, o respeito pela vida e o interesse pelo cotidiano social são as grandes marcas do Policial Federal. A credibilidade que a Instituição Polícia Federal têm, advêm dos valores dos profissionais que nela atuam, sendo assim, o respeito que temos em todas as esferas da sociedade nos facilitam o trabalho.
 

 

Fenapef  – Como o senhor vê o papel da Polícia Federal no combate ao narcotráfico e nas políticas de conscientização contra o uso de drogas?

 

Chain - A Polícia Federal faz o que pode. Grandes Operações Policiais são deflagradas, muitas delas pelo trabalho único e exclusivo da grande dedicação profissional. O reconhecimento deveria ser bem maior por parte dos governantes. Sabemos que diversas vezes exercemos um verdadeiro “sacerdócio” e, como tal, precisamos de todo o apoio e presteza para desempenhar a contento nossas funções. Somos considerados como uma das melhores Polícias Federais do mundo, porque temos os melhores Policiais Federais do mundo. Por que não somos atendidos nas poucas reivindicações que fazemos? Por que é tão difícil ampliarmos nosso quadro funcional e nossa carreira de apoio? O grande combate ao narcotráfico começa quando estamos nos sentindo com força total, bem prestigiados e equipados para realizar nossos trabalhos, que como todos sabem, é complexo. Falta ainda uma política de prevenção, que deveria ser implementada através de assistência social tanto interna quanto externa.



Fenapef 
– Estamos próximos de uma nova eleição para presidente, governadores e legislativos. Quais, no seu entendimento, devem ser as políticas implementadas pelos novos gestores no enfrentamento a este problema?

 


Chain - Vejo que a problemática de enfrentamento às drogas e à violência devem ser em quatro grandes motes: Prevenção, Repressão, Tratamento à dependência Química e Reinserção Social.

 


 
Fenapef 
– Qual sua mensagem para os colegas da PF que hoje atuam no combate ao tráfico nos 4 cantos do país?

 


Chain - Em primeiro lugar gostaria de dizer que me orgulho muito de pertencer aos quadros da Polícia Federal. Sei que em breve estarei me aposentando, porém, nunca deixarei de ser um Policial Federal. Àqueles colegas que estão espalhados pelos quatro cantos do país, tenho a dizer que: "É muito bom ser importante, mas importante mesmo é ser Bom”. Todos que trabalham em defesa da sociedade, do bem estar das pessoas, em prol da justiça, como nossos colegas do DPF, além de muito importantes, são muito bons. Uma vez li uma frase: “As grandes obras são sonhadas pelos gênios, executadas pelos lutadores, desfrutadas pelos felizes e criticadas pelos inúteis crônicos” (Autor desconhecido).

 

As Operações de combate ao tráfico de drogas executadas pelos Policiais Federais, no meu entendimento, contêm as características de uma grande obra. Uma obra do bem! São iluminados por Deus! Superam-se sempre! A sociedade se beneficia! Raramente sofre críticas, e quando isso ocorre, são feitas muitas vezes de forma irresponsável, sem conhecimento de causa, sem valor moral. Como diria Bertolt Brecht: "Existem homens que lutam um dia e são bons; existem outros que lutam um ano e são melhores; existem aqueles que lutam muitos anos e são muito bons. Porém, existem os que lutam toda a vida. Estes são os imprescindíveis”. Peço aos meus colegas que tenham sempre cuidado, se preservem. Preservem suas vidas. Preservem suas famílias. Que Deus ilumine e abençoe sempre todos os Policiais Federais!

Fonte: Agência Fenapef



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